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MICROFONIA 2

 

A Tenebrosa Microfonia

Marcelo Charles


Há tempos, nós músicos, sonoplastas, cantores e palestrantes temos uma terrível "assombração": a tal Microfonia. Mas o que vem a ser ela e porque ela ocorre? Bem, tentarei de uma forma simples descrever como ela se inicia e porque ocorre. A microfonia nada mais é que uma realimentação do sinal , ou seja, o sinal (ou som) que sai nas caixas de som entra novamente no microfone, e que por sua vez é amplificado e volta pra as caixas e entra novamente no microfone , criando então um círculo ou um loop. Em inglês microfonia se chama Feedback ou seja feed = alimentar e back = retorno. Existem vários motivos para ela se iniciar.

O primeiro e o mais comum é o posicionamento das caixas. Por exemplo: se o cantor ou palestrante estiver em frente das caixas ou muito perto delas, mesmo que lateralmente, a possibilidade aumenta, visto que, como estão próximos, o sinal que vem das caixas chega mais facilmente ao microfone. Já se o cantor ou palestrante estiver atrás das caixas, a incidência é muito menor, pois o sinal esta sendo dispersado fora do alcance do microfone. Lembrando que também pode ocorrer microfonia mesmo o palestrante ou cantor estando atrás das caixas. Mas porque? Vamos para o segundo motivo.

Segundo motivo: Equalização. A equalização seria a grande vilã da microfonia. Vejamos porque. Se temos um local onde há pisos rígidos, tetos rígidos, vidros, etc., a quantidade de reflexões do som aumenta, ou seja, o som sai das caixas, chega ao chão, teto, fundos da igreja, e volta, começando a ser refletido como uma bolinha de ping-pong. Já se um local tem pisos de carpete, cortinas, etc., essas reflexões do som são menores, pois esses materiais ou absorvem ou amortecem o impacto do som que sai das caixas.  Num ambiente onde há materiais muito rígidos acontece um "eco" (também chamado de reverberação), que é um dos fatores que também contribuem para a microfonia, pois o sinal "passeia" com maior intensidade e velocidade pelo local. Temos então freqüências viajando pelo local, freqüências graves , agudas e de médio.

Dependendo das caixas de som, o som que sairá delas poderá ter mais graves, agudos ou médios, dependendo de como foi construída e projetada a caixa , falantes, tweeters, etc. Caso uma caixa de som tenha maior poder nos agudos, e o local tenha muitos vidros e materiais rígidos, esse tipo de freqüências agudas serão refletidas e até multiplicadas. Caso o local tenha materiais que absorvam melhor esses agudos, tipo carpetes, cortinas e assentos, esses agudos serão absorvidos, ou atenuados. Mas caso o local seja rígido demais, como é o caso da igreja do Juveve em Curitiba - PR onde sou sonoplasta, os agudos se tornam poderosos, sendo necessários diminuir o volume deles em vários db (decibéis) no equalizador. Caso o volume deles não seja aparado ou ajustado, os agudos poderão entrar mais facilmente no microfone.

A maioria dos microfones de mão tem uma curva de reposta, ou seja, tem uma acentuação em freqüências graves e agudas e uma leve atenuação de médios principalmente na região de 1khz onde a voz  tende a ficar mais nasal. Somando-se então a curva de resposta do microfone, e a resposta de freqüência das caixas de som, temos então uma bela microfonia.

Mas e se o microfone então por exemplo não tivesse acentuação nos agudos mesmo as caixas tendo acentuação nos agudos? Poderia não haver microfonia, porque a falta dessa freqüência no microfone compensaria a sobra de freqüência nas caixas, é ai então onde entra o papel do equalizador, que tem a função de igualar, ou seja, fazer com que as caixas de som trabalhem juntamente com o ambiente e com os microfones. Ou seja, caso o ambiente tenha problemas de ressonância em determinadas freqüências ou maior reflexões em outras freqüências, no equalizador é possível atenuar ou diminuir essas freqüências. Mas tem como descobri-las?? Sim, isso é possível.

As microfonias mais comuns são na região de agudos, mas também acontecem na região de médios e graves. Citei o caso dos agudos por ser a mais freqüente e a que mais incomoda.

Outros fatores para que ocorram a microfonia seriam vazamentos , ou seja, sons que vem de outros instrumentos ou caixas que estariam próximos aquele microfone. Para isso a indústria do áudio aprimora cada vez mais os microfones de palco. O microfone mais comum usado é o dinâmico, se chama assim por ter uma cápsula mais rígida e menos sensível. Dentro da família dos dinâmicos temos o cardióide , super cardióide, e hiper cardióide. E o que seriam esses 3? Seriam formas de captação do som.

Os cardióides por exemplo, captam os sons a frente do microfone e os sons que vem das laterais, esse então é mais suscetível a microfonia; já o super cardioide capta mais à frente do que aos lados, e o hiper cardióide capta o sinal ou a voz  a frente do microfone, captando quase nada de sinais vindo pelas laterais. Os microfones hiper cardióides são mais caros, mas bem menos suscetíveis a microfonia. Em microfones dinâmicos cardióides os sons que vem dos lados ou vazamentos também criam microfonias.

Muitos pensam que a microfonia está relacionada a potência ou volume  do microfone, mas se no equalizador estiver algum excesso de alguma freqüência, a microfonia ocorrerá mesmo em baixíssimo volume que é o caso de outros tipos de microfones, como microfones aéreos de coral do tipo condensadores.

Quais seriam então as formas de se evitar a microfonia ?

  • Primeiro: Posicionamento.
  • Segundo: O ambiente acústico.
  • Terceiro: Correta Equalização.

Já perceberam que em mega-shows não ocorrem microfonias, e em mega-shows existem colunas monstruosas de caixas, um altíssimo volume de mais de 100 decibéis  e inúmeros retornos de palcos? E como os técnicos conseguem esse feito??

Simplesmente descobrindo quais as freqüências estão criando a microfonia , além da experiência, ouvido, eles  fazem medições, ou seja, "medem" ou mensuram o local com um analisador de espectro e um microfone especifico que é quase 100% plano ou flat. Fazendo essas medições, analisam todas as possibilidades, o que está sobrando ou faltando de médios, graves e agudos para aquele ambiente específico. Depois dessas medições alteram o equalizador para se adaptar , que chamam de alinhamento de PA (Public Adress = endereçado ao publico), aumentando ou atenuando determinados freqüências. Depois disso passam a analisar os microfones, fazendo a equalização desses microfones não no equalizador, mas no sistema de equalização da mesa de som. Algumas mesas de som possuem um tipo de equalizador chamado paramétrico no qual pode-se inibir ou melhorar a freqüência escolhida. Esse ajuste tem que ser da mesa, pois como inúmeras pessoas podem falar num mesmo sistema, fica impossível regular o equalizador a cada momento, ficando então essas regulagens a cargo da mesa, devendo o técnico atenuar ou aumentar graves, médios e agudos.

Existem outros tipos de microfone , como os condensadores, que são microfones de cápsula mais sensível, em geral usados em estúdios , ou então são em formato reduzido para captar corais e orquestras. Por serem mais sensíveis, ocasionam maior microfonia.

Aqui na igreja do Juveve em Curitiba existem 4 microfones   aéreos, condensadores e cardióides, além de pisos rígidos, teto rígido, muitos vidros, etc. Ou seja, um perfeito caos para a microfonia: microfones difíceis + local bonito mas acusticamente difícil. Como então resolvi isso?

Instalei o microfone bem próximo à caixa, liguei a mesa de som num analisador de espectro no PC , e passei o sinal pelo PC. Fui então abrindo o volume e as freqüências na mesa até começar a microfonia. Quando a microfonia se apresentou na tela do PC, que foi em 2 regiões, em torno de 300 hz e 12 khz, a salvação foi a mesa de som, que tem EQ paramétrico; pude então selecionar essas freqüências especificas e atenuá-las.

Mas como seria então se não houvesse a tecnologia? Teria que ser feito à moda antiga. A moda antiga era os técnicos posicionarem os microfones em frente a caixa de som, e irem fazendo a equalização , ou seja, teriam que achar as freqüências corretas na base da experimentação. Técnicos antigos, mais experientes já sabiam quais freqüências estavam sobrando ao ouvir a microfonia e atenuavam as mesmas usando o ouvido, experiência e o “achômetro”, mas infelizmente podiam atenuar demais, ou então suprimir a freqüência errada, que estaria próxima da freqüência problemática , o que deixaria o som mais pobre, e aconteceria o que chamamos de equalização destrutiva, que é o que geralmente ocorre. Muitos técnicos, "no medo", acabem criando equalizações pobres e destrutivas, ao mesmo tempo que criam excessivos graves e agudos, achando que o som vai ficar mais bonito, quando no entanto o som está “esburacado” nos médios, deixando de ser natural.

A função do sistema de PA não é melhorar a voz, e sim amplificá-la exatamente como ela é, com naturalidade, sem "invenção de moda". Em alguns casos apenas suprimir sibilancias que são aumentadas pelo modelo do microfone, mas a função nunca deve ser “criar um baixo” de quarteto simplesmente colocando grave ao máximo no canal do cantor de baixo, ou então criar um “sonzão” na voz. Talvez, em alguns casos, seja possível criar um "calor" na voz, com ajuda de sistemas valvulados.

A mensuração acústica existe há tempos, mas eram realizadas somente em processadores específicos , não em PC´s.Com a evolução dos computadores e do aprimoramento de algoritmos de programação , é possível mensurar com exatidão todo um ambiente acústico, avaliar caixas, microfones, etc.

Existem equipamentos como Feedback Destroyer, que são equipamentos com filtros que detectam a microfonia e a atenuam, mas não são 100% efetivos. Alguns tentam amenizar a microfonia com compressores e gates, mas dependendo da regulagem do compressor, acabam criando uma voz achatada e sem dinâmica e dependendo da regulagem dos gates para evitar ruídos e vazamentos, acabem perdendo os momentos “pianíssimos”, ou seja, sons musicais muito suaves . A correta equalização e mensuração é de custo muito menor que adquirir um compressor ou supressor de microfonia, além do que, todo o sistema de sonorização fica mais natural.  Caso sua igreja esteja tendo sérios problemas com isso, procure o pastor e o ancião e sugira a eles procurar um técnico especializado em mensuração e equalização em sua região, existem bons profissionais a preço realmente baixo.

Termino esse artigo dizendo que microfonias, além de incomodar e prejudicar seriamente os ouvidos, quebram a atenção e a santidade da adoração. Além disso, também prejudicam microfones e caixas, chegando a queimar falantes, tweeters e drives.  Além de espantar os amigos visitantes (rsrs).

Caso desejarem maiores auxílios e esclarecimentos estou disponível em Curitiba - PR e para outras regiões.

E se caso o meu simplório artigo não tiver sido plenamente compreendido me perdoem, tentei ser simples e objetivo nas explicações. Fiquem a vontade para perguntas.

Grande abraço a todos.


Marcelo Charles
Consultor em áudio e acústica
Sonoplasta da IASD do Juveve de Curitiba - PR

Contatos via e-mail ou MSN: marcelocharles2005@hotmail.com